Processos...
E afinal, não foi preciso esperar muito. Os desenvolvimentos deste caso tão mediático surgem como uma queda sequencial de peças de dominó. Todas as causas têm efeitos e o contrário também é válido.
O Correio da Manhã noticia, Pinto da Costa reage. Qual dos dois fala verdade? Talvez nunca se saiba, mas o certo é que manchetes sobre corrupção no futebol, sobre violência dentro e fora dos relvados já não chocam, bem pelo contrário. Têm um efeito anestesiante. (Só parecem ser surpresa para quem se movimenta no meio!)
Dizia o título da notícia que "Pinto da Costa é o mandante das agressões a Bexiga". Com base no livro de Carolina Salgado, já editado no final de 2006, a conclusão não surpreende. Até porque a acusação formal contra o Presidente do FCP se baseia nas mesmas premissas daquele (pequeno) volume - nas palavras de Carolina Salgado.
Um testemunho, que não deve ter misturado em tribunal os ataques pessoais com as histórias do mundo do futebol.
Pergunta: Alguém se lembra de ler ou ouvir Pinto da Costa dizer que iria processar Carolina Salgado pelas acusações, pelos atentados à vida privada e ao bom nome do dirigente portista? Parece-me que existe aqui uma dualidade de critérios. Para além da prova testemunhal da ex-companheira, que provas objectivas e concretas existem, de que assim realmente tenha sido?
Quem diz que não foi a própria que terá encomendado a agressão? Não é provável, mas pela lógica, ela foi a única que assumiu ter participado na contratação dos agressores e ter efectuado o dito pagamento.
Só porque escreveu um livro, este não serve de álibi, nem encerra, em si, a verdade absoluta. Bem pelo contrário. Levanta mais questões do que fornece respostas. Contém pequenos fragmentos, pérolas presas no fio da actualidade.
A Polícia Judiciária ouve Pinto da Costa na segunda-feira, e na quarta-feira surge a manchete com a decisão judicial sustentada por fonte oficial. Estes fenómenos surgem, cada vez mais, associados chavões como violação do segredo de justiça e fuga de informação.
[ Dados mantidos "no escuro" com financiamento dos cidadãos. A falta de transparência e as fragilidades do sistema judicial estão sempre nas luzes da ribalta.
Para pôr um ponto final nesta história do segredo de justiça, a situação é a seguinte. Enquanto o sistema judicial for gerido e operado por pessoas, (em vez de máquinas com fortes firewalls e anti-vírus) haverá sempre fuga de informações. Já do lado da procura (dos jornalistas) aplica-se o mesmo princípio.
Duas pessoas conseguem manter um segredo, se uma delas estiver morta.
Talvez este tipo de matérias devesse estar concentrada apenas numa figura, supra-estatutária. É certo que poderão vir os profetas da desgraça defender que o sistema iria ficar mais lento. (Mais ainda?)
Julgo que não é por aí, até porque ou se opta pelo investimento e pela qualidade, ou então não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira.]
O certo é que não se sabe qual o fundamento das acusações de Carolina Salgado, para além da confissão de participação activa no crime. É palavra contra palavra, a não ser que existam provas palpáveis.
Já o Correio da Manhã, baseia a sua notícia numa decisão de um órgão de justiça.
E, por muito errada que esteja essa informação, ou independentemente de onde tenha sido ventilada, parece-me que, neste caso, o ponto de convergência continua a ser Carolina Salgado, a fonte primordial de todo este processo da agressão a Ricardo Bexiga.
(Terá ela violado o segredo de justiça ao ter escrito e dado entrevistas sobre alegadas decisões judiciais que ainda não tinham sido tomadas, mas que se podem vir a confirmar? Ao dizer que Pinto da Costa era o eventual mandatário ou autor moral do crime? A realidade, a confiar no Correio da Manhã , é que o tribunal sustenta, alegadamente, esta tese.)
Partindo de todos estes pressupostos, o advogado de Pinto da Costa anunciou que vai intentar uma acção contra o jornal por ter noticiado em manchete que ele foi o mandante das agressões ao ex-vereador da Câmara Municipal de Gondomar, Ricardo Bexiga. Gil Moreira dos Santos considera que a notícia "constitui uma violação do segredo de justiça, que é um crime público".
Em comunicado, o defensor "repudia qualquer ligação entre os factos descritos na manchete e Jorge Nuno Pinto da Costa", considerando-a "uma denúncia caluniosa". (O que terá a dizer sobre a matéria literária publicada?!)
Entretanto, o Director do Correio da Manhã refuta a acusação de Pinto da Costa.
Octávio Ribeiro, defende que o jornal não violou o segredo de Justiça.
O líder da claque "Super Dragões", Fernando Madureira, foi ouvido pela PJ do Porto no passado dia 8 de Março, na condição de arguido num processo de alegado envolvimento na agressão a Bexiga.
Fernando Madureira, confirma que foi ouvido nesta condição e revela ainda que já iniciou diligências para agir judicialmente contra Carolina Salgado. (Será que é o único a insurgir-se contra os factos, pessoais ou criminais, descritos no livro? Ou contra a palavra da autora?)
Importa tentar perceber se o antigo vereador reconhece o líder dos SuperDragões como um dos seus agressores.
Será que Fernando Madureira passou para o outro lado, depois de uma ligação tão próxima com Carolina Salgado?
Quem é que agrediu o autarca? Porque é que os envolvidos neste processo, se começam a virar uns contra os outros? E se algum falar de mais? Será que o Presidente dos dragões vai acabar por processar o Major Valentim Loureiro? Ou será que Pinto da Costa vai agir judicialmente contra Carolina Salgado, ou contra elementos ligados ao próprio clube? E os árbitros? Porque estão tão distantes? E quanto ao alegado tráfico de influências entre responsáveis dos órgãos do futebol?
Este parece ser um fenómeno de Dr. Jeckill & Mr. Hide múltiplo. Cada peça deste xadrez parece ter duas faces. Mas será que a justiça tem dois pesos e duas medidas?
Procuram-se respostas.
Enquanto não surgem, aguardam-se desenvolvimentos.
O Correio da Manhã noticia, Pinto da Costa reage. Qual dos dois fala verdade? Talvez nunca se saiba, mas o certo é que manchetes sobre corrupção no futebol, sobre violência dentro e fora dos relvados já não chocam, bem pelo contrário. Têm um efeito anestesiante. (Só parecem ser surpresa para quem se movimenta no meio!)
Dizia o título da notícia que "Pinto da Costa é o mandante das agressões a Bexiga". Com base no livro de Carolina Salgado, já editado no final de 2006, a conclusão não surpreende. Até porque a acusação formal contra o Presidente do FCP se baseia nas mesmas premissas daquele (pequeno) volume - nas palavras de Carolina Salgado.
Um testemunho, que não deve ter misturado em tribunal os ataques pessoais com as histórias do mundo do futebol.
Pergunta: Alguém se lembra de ler ou ouvir Pinto da Costa dizer que iria processar Carolina Salgado pelas acusações, pelos atentados à vida privada e ao bom nome do dirigente portista? Parece-me que existe aqui uma dualidade de critérios. Para além da prova testemunhal da ex-companheira, que provas objectivas e concretas existem, de que assim realmente tenha sido?
Quem diz que não foi a própria que terá encomendado a agressão? Não é provável, mas pela lógica, ela foi a única que assumiu ter participado na contratação dos agressores e ter efectuado o dito pagamento.
Só porque escreveu um livro, este não serve de álibi, nem encerra, em si, a verdade absoluta. Bem pelo contrário. Levanta mais questões do que fornece respostas. Contém pequenos fragmentos, pérolas presas no fio da actualidade.
A Polícia Judiciária ouve Pinto da Costa na segunda-feira, e na quarta-feira surge a manchete com a decisão judicial sustentada por fonte oficial. Estes fenómenos surgem, cada vez mais, associados chavões como violação do segredo de justiça e fuga de informação.
[ Dados mantidos "no escuro" com financiamento dos cidadãos. A falta de transparência e as fragilidades do sistema judicial estão sempre nas luzes da ribalta.
Para pôr um ponto final nesta história do segredo de justiça, a situação é a seguinte. Enquanto o sistema judicial for gerido e operado por pessoas, (em vez de máquinas com fortes firewalls e anti-vírus) haverá sempre fuga de informações. Já do lado da procura (dos jornalistas) aplica-se o mesmo princípio.
Duas pessoas conseguem manter um segredo, se uma delas estiver morta.
Talvez este tipo de matérias devesse estar concentrada apenas numa figura, supra-estatutária. É certo que poderão vir os profetas da desgraça defender que o sistema iria ficar mais lento. (Mais ainda?)
Julgo que não é por aí, até porque ou se opta pelo investimento e pela qualidade, ou então não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira.]
O certo é que não se sabe qual o fundamento das acusações de Carolina Salgado, para além da confissão de participação activa no crime. É palavra contra palavra, a não ser que existam provas palpáveis.
Já o Correio da Manhã, baseia a sua notícia numa decisão de um órgão de justiça.
E, por muito errada que esteja essa informação, ou independentemente de onde tenha sido ventilada, parece-me que, neste caso, o ponto de convergência continua a ser Carolina Salgado, a fonte primordial de todo este processo da agressão a Ricardo Bexiga.
(Terá ela violado o segredo de justiça ao ter escrito e dado entrevistas sobre alegadas decisões judiciais que ainda não tinham sido tomadas, mas que se podem vir a confirmar? Ao dizer que Pinto da Costa era o eventual mandatário ou autor moral do crime? A realidade, a confiar no Correio da Manhã , é que o tribunal sustenta, alegadamente, esta tese.)
Partindo de todos estes pressupostos, o advogado de Pinto da Costa anunciou que vai intentar uma acção contra o jornal por ter noticiado em manchete que ele foi o mandante das agressões ao ex-vereador da Câmara Municipal de Gondomar, Ricardo Bexiga. Gil Moreira dos Santos considera que a notícia "constitui uma violação do segredo de justiça, que é um crime público".
Em comunicado, o defensor "repudia qualquer ligação entre os factos descritos na manchete e Jorge Nuno Pinto da Costa", considerando-a "uma denúncia caluniosa". (O que terá a dizer sobre a matéria literária publicada?!)
Entretanto, o Director do Correio da Manhã refuta a acusação de Pinto da Costa.
Octávio Ribeiro, defende que o jornal não violou o segredo de Justiça.
O líder da claque "Super Dragões", Fernando Madureira, foi ouvido pela PJ do Porto no passado dia 8 de Março, na condição de arguido num processo de alegado envolvimento na agressão a Bexiga.
Fernando Madureira, confirma que foi ouvido nesta condição e revela ainda que já iniciou diligências para agir judicialmente contra Carolina Salgado. (Será que é o único a insurgir-se contra os factos, pessoais ou criminais, descritos no livro? Ou contra a palavra da autora?)
Importa tentar perceber se o antigo vereador reconhece o líder dos SuperDragões como um dos seus agressores.
Será que Fernando Madureira passou para o outro lado, depois de uma ligação tão próxima com Carolina Salgado?
Quem é que agrediu o autarca? Porque é que os envolvidos neste processo, se começam a virar uns contra os outros? E se algum falar de mais? Será que o Presidente dos dragões vai acabar por processar o Major Valentim Loureiro? Ou será que Pinto da Costa vai agir judicialmente contra Carolina Salgado, ou contra elementos ligados ao próprio clube? E os árbitros? Porque estão tão distantes? E quanto ao alegado tráfico de influências entre responsáveis dos órgãos do futebol?
Este parece ser um fenómeno de Dr. Jeckill & Mr. Hide múltiplo. Cada peça deste xadrez parece ter duas faces. Mas será que a justiça tem dois pesos e duas medidas?
Procuram-se respostas.
Enquanto não surgem, aguardam-se desenvolvimentos.

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