quinta-feira, 15 de março de 2007

Processos...

E afinal, não foi preciso esperar muito. Os desenvolvimentos deste caso tão mediático surgem como uma queda sequencial de peças de dominó. Todas as causas têm efeitos e o contrário também é válido.

O Correio da Manhã noticia, Pinto da Costa reage. Qual dos dois fala verdade? Talvez nunca se saiba, mas o certo é que manchetes sobre corrupção no futebol, sobre violência dentro e fora dos relvados já não chocam, bem pelo contrário. Têm um efeito anestesiante. (Só parecem ser surpresa para quem se movimenta no meio!)

Dizia o título da notícia que "Pinto da Costa é o mandante das agressões a Bexiga". Com base no livro de Carolina Salgado, já editado no final de 2006, a conclusão não surpreende. Até porque a acusação formal contra o Presidente do FCP se baseia nas mesmas premissas daquele (pequeno) volume - nas palavras de Carolina Salgado.
Um testemunho, que não deve ter misturado em tribunal os ataques pessoais com as histórias do mundo do futebol.

Pergunta: Alguém se lembra de ler ou ouvir Pinto da Costa dizer que iria processar Carolina Salgado pelas acusações, pelos atentados à vida privada e ao bom nome do dirigente portista? Parece-me que existe aqui uma dualidade de critérios. Para além da prova testemunhal da ex-companheira, que provas objectivas e concretas existem, de que assim realmente tenha sido?

Quem diz que não foi a própria que terá encomendado a agressão? Não é provável, mas pela lógica, ela foi a única que assumiu ter participado na contratação dos agressores e ter efectuado o dito pagamento.
Só porque escreveu um livro, este não serve de álibi, nem encerra, em si, a verdade absoluta. Bem pelo contrário. Levanta mais questões do que fornece respostas. Contém pequenos fragmentos, pérolas presas no fio da actualidade.

A Polícia Judiciária ouve Pinto da Costa na segunda-feira, e na quarta-feira surge a manchete com a decisão judicial sustentada por fonte oficial. Estes fenómenos surgem, cada vez mais, associados chavões como violação do segredo de justiça e fuga de informação.

[ Dados mantidos "no escuro" com financiamento dos cidadãos. A falta de transparência e as fragilidades do sistema judicial estão sempre nas luzes da ribalta.
Para pôr um ponto final nesta história do segredo de justiça, a situação é a seguinte. Enquanto o sistema judicial for gerido e operado por pessoas, (em vez de máquinas com fortes firewalls e anti-vírus) haverá sempre fuga de informações. Já do lado da procura (dos jornalistas) aplica-se o mesmo princípio.

Duas pessoas conseguem manter um segredo, se uma delas estiver morta.
Talvez este tipo de matérias devesse estar concentrada apenas numa figura, supra-estatutária. É certo que poderão vir os profetas da desgraça defender que o sistema iria ficar mais lento. (Mais ainda?)
Julgo que não é por aí, até porque ou se opta pelo investimento e pela qualidade, ou então não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira.]

O certo é que não se sabe qual o fundamento das acusações de Carolina Salgado, para além da confissão de participação activa no crime. É palavra contra palavra, a não ser que existam provas palpáveis.
Já o Correio da Manhã, baseia a sua notícia numa decisão de um órgão de justiça.

E, por muito errada que esteja essa informação, ou independentemente de onde tenha sido ventilada, parece-me que, neste caso, o ponto de convergência continua a ser Carolina Salgado, a fonte primordial de todo este processo da agressão a Ricardo Bexiga.
(Terá ela violado o segredo de justiça ao ter escrito e dado entrevistas sobre alegadas decisões judiciais que ainda não tinham sido tomadas, mas que se podem vir a confirmar? Ao dizer que Pinto da Costa era o eventual mandatário ou autor moral do crime? A realidade, a confiar no Correio da Manhã , é que o tribunal sustenta, alegadamente, esta tese.)

Partindo de todos estes pressupostos, o advogado de Pinto da Costa anunciou que vai intentar uma acção contra o jornal por ter noticiado em manchete que ele foi o mandante das agressões ao ex-vereador da Câmara Municipal de Gondomar, Ricardo Bexiga. Gil Moreira dos Santos considera que a notícia "constitui uma violação do segredo de justiça, que é um crime público".

Em comunicado, o defensor "repudia qualquer ligação entre os factos descritos na manchete e Jorge Nuno Pinto da Costa", considerando-a "uma denúncia caluniosa". (O que terá a dizer sobre a matéria literária publicada?!)

Entretanto, o Director do Correio da Manhã refuta a acusação de Pinto da Costa.
Octávio Ribeiro, defende que o jornal não violou o segredo de Justiça.

O líder da claque "Super Dragões", Fernando Madureira, foi ouvido pela PJ do Porto no passado dia 8 de Março, na condição de arguido num processo de alegado envolvimento na agressão a Bexiga.
Fernando Madureira, confirma que foi ouvido nesta condição e revela ainda que já iniciou diligências para agir judicialmente contra Carolina Salgado. (Será que é o único a insurgir-se contra os factos, pessoais ou criminais, descritos no livro? Ou contra a palavra da autora?)

Importa tentar perceber se o antigo vereador reconhece o líder dos SuperDragões como um dos seus agressores.
Será que Fernando Madureira passou para o outro lado, depois de uma ligação tão próxima com Carolina Salgado?

Quem é que agrediu o autarca? Porque é que os envolvidos neste processo, se começam a virar uns contra os outros? E se algum falar de mais? Será que o Presidente dos dragões vai acabar por processar o Major Valentim Loureiro? Ou será que Pinto da Costa vai agir judicialmente contra Carolina Salgado, ou contra elementos ligados ao próprio clube? E os árbitros? Porque estão tão distantes? E quanto ao alegado tráfico de influências entre responsáveis dos órgãos do futebol?

Este parece ser um fenómeno de Dr. Jeckill & Mr. Hide múltiplo. Cada peça deste xadrez parece ter duas faces. Mas será que a justiça tem dois pesos e duas medidas?

Procuram-se respostas.

Enquanto não surgem, aguardam-se desenvolvimentos.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Actualidade...

Ainda antes de poder preparar as questões formais a abordar neste espaço, a actualidade ultrapassa a criatividade e obriga a responder à primeira questão.

Sem querer ainda revelar o conteúdo do blogue, mas permitindo desde já avançar com alguns desenvolvimentos, a pergunta que se faz é: "Existem provas de que Pinto da Costa tenha sido o alegado autor moral das agressões a Ricardo Bexiga, o antigo Vereador de Gondomar?"

A resposta parece ser afirmativa e tem o nome de Carolina Salgado. A ex-companheira do Presidente do Futebol Clube do Porto pode ainda ser a testemunha chave de outros crimes, alegadamente cometidos pelo responsável dos dragões, que aqui tentaremos questionar, e com a ajuda de quem quiser avançar com dados concretos e informações sustentadas, poderemos tentar descortinar. A "ex-mulher" do dirigente "azul e branco" tem também alguma responsabilidade nesta matéria. (E quem sabe noutras.)

Recordo, que ela escreve, e já o disse publicamente, que Pinto da Costa lhe terá pedido para fazer os contactos necessários para encomendar uma "agressão" (ou "tentativa de homicídio") ao ex-autarca socialista de Gondomar. Ela afirma ter feito os contactos, e efectuado o pagamento do serviço. (Alegadamente a Fernando Madureira , o líder dos SuperDragões.)

A equipa da procuradora-geral adjunta Maria José Morgado, responsável pela coordenação do Processo "Apito Dourado", parece acreditar nesta versão.
Tanto que, de acordo com a edição de hoje do Correio da Manhã, Pinto da Costa terá, alegadamente, sido constituído arguido por suspeita de ter sido o mandante/autor moral das agressões a Ricardo Bexiga, no dia 25 de Janeiro de 2005, no parque de estacionamento da Alfândega, no Porto.

O presidente portista, esteve cerca de duas horas na PJ, na última segunda-feira, dia 12 de Março de 2007.
O Correio da Manhã revela que Pinto da Costa não terá prestado quaisquer declarações, além das que constam no questionário do Termo de Identidade e Residência, a única medida de coacção que lhe foi imposta.

No mesmo processo, já foram constituídos arguidos o líder da claque das "Antas" Fernando Madureira, e Carolina Salgado. Esta última não quis comentar o facto de Pinto da Costa ter sido ouvido no caso das agressões ao ex-autarca de Gondomar.

Pergunta: "Depois de tudo o que revelou no livro, de ter acusado Pinto da Costa de ser o autor moral das agressões, de ter (deduz-se) ido à judiciária prestar declarações sobre este assunto e de ter sido constituída arguída... Porquê o silêncio e a reserva de Carolina Salgado?"

Escuda-se num livro, dispára em várias direcções, mas quando chega a "Hora da Verdade", surgem as respostas evasivas e pouco concretas. (Pelo menos, fora das quatro paredes da justiça.)

Acredito que com este contributo, com este debate e com este blogue, poderemos tentar fazer com que a verdade venha ao de cima. Todos os envolvidos ou visados, estão convidados a participar. Quem quiser acrescentar algo mais, também.

Ainda estamos no ínício, mas já se adivinham cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, 13 de março de 2007

Perguntas...

Em breve estará aqui disponível, aquele que pretende ser um espaço de análise, procura da verdade, orientação e, esperemos, debate.

Pretende abordar um dos temas mais quentes da actualidade, e promete ser um dos blogues mais interactivos da internet.

Conto, por isso, com a sua colaboração, quer seja um simples anónimo, um informador, ou um dos envolvidos. Ou neste caso, se for a principal visada, interprete estes textos como uma entrevista.

Para as autoridades envolvidas no processo, aqui podem ficar algumas pistas para eventuais questões processuais.

A verdade anda aí, ela existe, e não se pode perder, naquele que será, certamente, o maior escândalo do futebol português.

Aguardem, porque dentro em breve estaremos à procura de respostas.

Grato pela atenção.